Predição
25/07/2010
Artigo escrito hoje de manhã as 9h12 na primeira folha de papel que encontrei perto da minha cama.
Abro os olhos, fecho-os de novo, viro-me para baixo e ponho a cabeça na travesseira. A minha mente ainda esta algures no meu subconsciente, entre os meus medos e os meus desejos profundos. Ouço o barulho dos meus vizinhos e o Léo que anda no meu quarto e tento recordar-me do sonho que estava a ter. Quero perceber o seu significado.
Estou sentado num restaurante. Aquele género de restaurante que encontras na baixa do Porto. Algo entre a tradição e o fora de moda. Toalha de mesa branca e talheres clássicos. Na mesa um garrafa de agua natural e três pratos, um para cada um. Já nem sei se é hora do almoço ou do jantar, este sonho já me esta a escapar, só me lembro da parede decorada de velhas fotografias preto e branco. Acho que já sei em que restaurante estou, é um restaurante que fica nas Antas. A primeira vez que la fui foi com a M. e irmão dela. Agora percebo porque encontro-me agora neste momento a almoçar ou a jantar aqui com eles.

O ambiente é frio, sente-se a distancia. Pouco se fala e ja não ha aquela cumplicidade que fez de nos o que fomos. Ela nem me olha, fala e partilha mais com o irmão do que comigo, sinto-me ignorado o que me provoca dores na barriga. Olho para ela discretamente. Não quero que ela acha que estou a pedir atenção, que estou mal por sentir-me a parte, mas vejo que ela não se sente afectada por esta distancia. A M. esta bem assim, ela parece forte enquanto eu estou fraco. Doi-me a barriga ainda mais.
De repente um ligeiro sorriso se desenha no seu rosto. A minha dor suspende-se. Um sorriso é sempre bom sinal mas aquele não … ela olha para mim como quem olha para um colega de trabalho, sou fraco, desta vez não consigo ser o actor que sei ser, não consigo mentir e sinto que respondo com um olhar que receia o pior e ela diz: ”L. (ela nunca me chamou pelo meu nome e só o facto de escolher tal maneira para me falar é sinal que ela quer manter uma certa distancia e frieza entre nos) não é possível, tu e eu vai contra a minha predição“. Predição?! Mas que lógica tem esta frase penso eu … respondo: “Menina M. (já que ela quer brincar ao mais distante …) não faças frases-labirintos, diz as coisas de maneira clara, pode ser?“. O irmão que até agora estava ausente levanta a cabeça do prato e diz “uma predição é uma mensagem que tu escreves para ti próprio mas que só lês anos depois“. Nunca tinha ouvido falar de tal coisa mas estou a perceber a lógica ”ah ok … do género um mensagem que escrevo para o meu futuro eu para mais tarde ser a pessoa que queria ser antes não é?” “Sim” disse a M. “quando tinha 19 anos escrevi a minha predição que dizia escolhe a pessoa que te faz sentir bem mesmo que não seja aquela que amas mais … tenho que respeitar essa vontade“. Acordo, viro-me para cima, abro os olhos e vejo o cinzento do céu parisiense pela minha janela.
Não sei bem que mensagem me quis enviar o meu subconsciente mas quis escrever este sonho aqui antes que ele desapareça com o tempo e o dia.
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